15 August 2005

Estranhamente tranquila...

É estranho estar aqui sentada sozinha
e pensar em ti
Sentir a tua falta
sem saber se te conheço,
se já te tive e te perdi,
se nos perdemos desde o começo,
ou se és o sonho que vivi...

2 July 2005

Por esses olhos...

Há muito - demasiado - tempo que não punha aqui nada, portanto aqui fica algo que escrevi há uns anos, e que redescobri há uns dias...


Era uma vez uma menina. Essa menina estava apaixonada por um rapaz. O rapaz era simpático, bem-humorado, divertido, inteligente, sensível, carinhoso e justo. E irresistível. Aos olhos dela, pelo menos. Porque esses olhos eram os olhos do amor. E quando ela se via reflectida nos olhos dele – olhos de amor também – via-se bonita. Amada. Mas sobretudo especial. E sorria. Às vezes, até largava uma gargalhada. Aí, ele perguntava o que lhe tinha dado. Ao que ela respondia: “Gosto de estar contigo”. Querendo dizer “Gosto de me ver nos teus olhos”. Ou “pelos teus olhos”. Ou “Gosto de ti”. E todos os dias a menina acordava com um sorriso nos lábios. Porque tinha sonhado com o seu rapaz dos olhos castanhos de amor. E sonhava acordada. Sonhava com ele. Sonhava um dia fazê-lo sorrir. Sorrir como ela sorria sempre que pensava nele. Um sorriso puro, pleno de felicidade. O sorriso de quem sabe que é a pessoa mais sortuda do mundo. O sorriso de quem sabe fazer parte de algo maior. Sorriso de quem ama e é correspondido. De quem sabe que nunca conseguirá compensar o outro por tudo o que ele lhe deu. Mas de quem sabe também que não importa. Que o que importa é que ambos sejam felizes na companhia um do outro. Incomensuravelmente felizes. E acordem de manhã com um sorriso. Por saberem que o outro existe. Que o sonho é realidade. E que é mantido vivo. Todos os dias. Através de pequenos gestos. Uma festa na mão. Um beijo no rosto. Um poema. Um comentário. Uma carta escondida. Uma carícia secreta. Um sorriso. Um abraço. Uma piada partilhada. Um momento de cumplicidade. Em que não são precisas palavras. Basta um olhar. Olhar para ele – nem que seja só com os olhos da mente – fá-la sempre sorrir. E esse sorriso enche-lhe o peito de alegria. Então, a vontade dela é ficar imóvel. A vê-lo. A olhá-lo. Sem sequer respirar. Com medo de quebrar o encanto. Tal como quando ele lhe chamou ladra. Dizendo que ela lhe tinha roubado o coração. Ou quando ela lhe deu o primeiro beijo. Na escuridão. E ficou à espera. Sem saber de que reacção. Ou como quando leu o primeiro poema dele. Ou como ontem. Ou como hoje. Ou como amanhã. Como todos os dias. Em cada um deles há um momento. Um segundo. Em que o tempo pára. E existem só os dois. No seu próprio mundo. O mundo do amor. E se olham. Ainda que estejam longe. E se amam. Apesar de tudo. E acima de tudo. E num par de olhos castanhos de amor está reflectido outro. Igual. Tão igual que já não são dois. É um. Um só. Cujo todo é muito – mas muito – maior do que a soma das partes.

22 April 2005

Sol-nascente, deixa-te estar
partilha um bocado
o céu com o luar
Fiquem os dois
só mais uns instantes
porque depois
nada será como dantes

A manhã traz certeza
e confirmação
do que de noite foi beleza
e pura paixão

Ainda estás ao meu lado,
não te sonhei!
És um sonho acordado,um tesouro que achei…

4 April 2005

The Spell Checker

Eye halve a spelling chequer.
It came with my pea sea.
It plainly marques four my revue
Miss takes eye kin knot sea.
Eye strike a key and type a word
And weight four it two say
Weather eye am wrong oar write
It shows me strait a weigh.
As soon as a miss ache is maid
It noose bee fore two long
And eye can put the error rite
its rare lea ever wrong.
Eye have run this poem threw it
I am shore your pleased two no
Its letter perfect awl the weigh
My chequer tolled me sew.


Não tenho tido muito tempo para escrever, mas mandaram-me este poema e achei que era meu dever divulgá-lo.

22 March 2005

A todos a quem se aplica

Thank you for being you;
for being genuine
and staying true
to what you believe in

You move on
but you stay here
‘cause in our hearts
you’re oh so dear!

(Escrito para a despedida de alguém que conheci há pouco tempo, com quem partilhei uma casa por uns meses, e que agora regressou a casa… Alguém que me mostrou que é possível, neste mundo hipócrita, ser-se genuinamente bom e viver uma vida feliz… Ainda assim, o poema aqui fica, dedicado a todos aqueles para quem o poderia igualmente ter escrito…)

"Estes jovens hoje em dia..."

Porque é que esta expressão é sempre acompanhada de um abanar de cabeça, e dita com ar de quem acredita piamente que o mundo está perdido? E se está, será que a culpa recai integralmente sobre “a juventude”?

Sim, eu sei que há por aí hoje muito jovem mal-educado e até grosseiro, e que muitos jovens se vestem de forma impensável para as mentes mais convencionais, mas… experimentem andar num transporte público e dividir mentalmente os vossos companheiros de viagem em pessoas com ar descontraído/feliz, e caras de “todos me devem e ninguém me paga” – a experiência diz-me que a maioria dos jovens NÃO pertence ao segundo grupo… Já para não falar nas entradas e saídas dos ditos transportes… a juventude está perdida, mas 90% dos encontrões, pisadelas e afins que levo vêm de pessoas com idade para serem meus pais, no mínimo! … Ah, e a maior cleptomaníaca que conheço é uma velha (emprego o termo mesmo no sentido mais depreciativo possível, e não como sinónimo de “idosa”)!

E sim, é bonito vir de uma era em que os homens eram mais cavalheiros e as pessoas respeitavam os mais velhos, mas isso implica automaticamente que é normal alguém que entrou 15 minutos depois de mim ser atendido primeiro só porque o dono/funcionário da loja acha que sou uma miúda pequena? Sinceramente, não me parece que haja muito respeito subjacente a essa atitude… Aliás, já deixei de ir a lojas em que me faziam isso sistematicamente… decisão que tomei aos 10 anos de idade! Não seria de esperar que os “adultos” se tivessem apercebido da incongruência antes?

Sim, eu sei que há pessoas mais velhas impecáveis, aliás algumas das pessoas que mais admiro são “pessoas de idade”… Mas outras tantas são tão ou mais jovens que eu… Eu não digo que todos os jovens sejam impecáveis, mas uma coisa garanto: a probabilidade de eu ser antipática (ou mesmo mal-educada) com alguém aumenta radicalmente se a atitude da pessoa for de superioridade e desprezo, simplesmente por eu ser “jovem”! Lamento, mas… se não querem jovens “marginalizados”, então não os marginalizem!


Claro que estou mais do que disposta a dar indicações, ajudar pessoas a acartar pesos/carros-de-bebé/cadeiras-de-rodas para dentro do comboio, ceder o meu lugar (mesmo que não seja dos “reservados”) a alguém que precise mais dele do que eu, ou seja o que for… mas se não se importam faço-o a QUALQUER PESSOA que precise, independentemente da idade… E já agora, agradecer quando alguém vos segura uma porta aberta não é pedir de mais, pois não?

Bons velhos tempos

A sério, eu percebo que seja normal, quando se atinge uma certa idade, sentir alguma nostalgia pelos bons momentos passados, e compreendo que a velocidade a que a nossa sociedade evoluiu no espaço de uma ou duas gerações cause uma certa dificuldade de ajustamento. Mais que não seja por a geração dos nossos avós não estar, na generalidade, minimamente preparada para abarcar os resultados e do recente progresso técnico-científico: compreendo que a minha avó ache a Internet algo que está, simplesmente, para além da compreensão dela, ou que os anúncios a produtos com pH, ómega 3 e afins lhe passem ao lado…

Mas será que os “bons velhos tempos” eram assim tão maravilhosos? “Nessa altura não havia drogados”, talvez, mas havia ainda mais bêbedos a espancarem mulher e filhos, e pior, havia ainda mais mulheres a “comer e calar”… “Nesses tempos não havia SIDA” (pelo menos nos humanos), mas as outras DSTs já por aí andam há uns quantos séculos… só que as “doenças venéreas” eram doenças dos desavergonhados, obviamente nenhuma pessoa de bem as contraía… “Nesse tempo não havia divórcios”, pois não, mas será que havia de facto mais casais felizes? “Nessa altura não havia cancro”, ou havia mas ninguém sabia o que era e as pessoas morriam de “males” e doenças desconhecidas – isto se sobrevivessem à gripe, ao sarampo, à papeira ou à varíola… “Nesses tempos as pessoas tinham mais vagar, não andavam sempre a correr”, mas para 90% delas esse tempo extra era passado a pensar de onde viria a próxima refeição…

Se eu um dia tiver a sorte de chegar a velha, só espero conseguir perceber que lembrar com ternura e alguma saudade os tempos idos não implica maldizer completamente o presente…