19 September 2006

"Enxa... quê?"

Pois bem, no passado dia 12 de Setembro celebrou-se (algures) o Dia Europeu da Enxaqueca. Como sofredora deste mal, achei que não podia deixar passar a data em claro. E como normalmente a reacção é "Enxaquê?", eu passo a explicar (quem me conhece há tempo suficiente já deve ter percebido que este post não é para si...): as enxaquecas são dores fortes que afectam apenas um lado da cabeça. São causadas pela dilatação dos vasos sanguíneos em redor do cérebro, que basicamente ficam esborrachados contra o crânio (digam lá que não é uma imagem bonita!). Conforme a intensidade da crise e a própria pessoa, as enxaquecas podem ter outros sintomas associados. No meu caso, por exemplo, os mais frequentes são: náuseas e vómitos, suores frios, hipersensibilidade à luz e maior sensibilidade a cheiros e sons.
E o que causa tudo isto? Boa pergunta! Há uma lista enorme de alimentos que diferentes pessoas afirmam causar-lhes crises, desde productos lácteos a laranjas, passando por chocolate e mais não sei o quê, mas eu por mim ainda não consegui associar a nenhum alimento específico. Só sei que se dormir pouco ou passar muitas horas sem comer (tipo mais de 3) a probabilidade de ter uma enxaqueca é muito maior, mas também sei que posso estar perfeitamente descansada e ter comido regularmente e ter uma enxaqueca na mesma...
E o pior disto tudo, para além da dor e do desconforto físico em si, é a parte social da coisa... Se dizes que tens uma enxaqueca, tens que explicar tudo isto a seguir (o que nem sempre é fácil quando sentes a cabeça a rebentar e só queres deitar-te num sítio escuro a ver se acalma), se dizes que tens uma dor de cabeça... bem... essa é só a desculpa mais estereotipada do sexo feminino... trálálá...
Sim, porque convém acrescentar que por razões inexplicadas (ou inexplicáveis?) as enxaquecas parecem afectar muito mais mulheres que homens... Ah, e são hereditárias, podendo manifestar-se em qualquer altura da vida. Os meus pais descobriram a posteriori que eu tenho enxaquecas desde os 3 anos... simplesmente na altura não foram diagnosticadas - alguma vez tentaram que uma criança de 3 anos lhes explicasse o que sentia quando estava a chorar com dores?
Resumindo, se alguém um dia vos disser que está com uma enxaqueca, não perguntem "enxaquê?" (nota-se muito que estou farta dessa pergunta?), acreditem que a pessoa está a falar a sério e que sim, é possível uma dor de cabeça impedir alguém de trabalhar... Certifiquem-se que a pessoa está medicada, arranjem-lhe um local escuro (ou algo para tapar os olhos) e algo frio para pôr sobre a testa, tentem que durma... E considerem-se cheios de sorte por não serem vocês!

9 June 2006

Por uns minutos...

Respiro fundo,

estou em paz,

estou quase adormecida...

É isto o que me dás,

por isto estou agradecida.


Porque posso falar,

mas nem é preciso.

Porque basta abraçar

e receber um sorriso.


Porque me deste o teu tempo

quando seria fácil desmarcar

Porque quiseste mesmo

ter um tempo para me dar.


Ficou muito por dizer,

mas não fica sempre?

7 June 2006

Para ti...

Vesti-me para ti,
arranjei-me a pensar
no que gostarias de ver...
E sorri,
por poder crer,
que tinha esse poder...

Sorri, senti-me especial,
ao pensar o teu olhar,
sentir-te apreciar,
ver-te um brilho pouco normal...

Brilhei frente ao espelho,
antevendo tudo isto...
Sorri, fiz-me à noite,
e passei-a com um sorriso...

8 May 2006

Abraço

Um abraço. A cabeça enterrada num peito, ou num ombro. Uns braços à sua volta, envolvendo-a. E os seus braços agarrados a um tronco. Não o querendo largar nunca. Não querendo sair dali. Respirando o ar quente entre os dois corpos. Olhos fechados, pensando em tudo e nada ao mesmo tempo. Um suspiro, e uma carícia em resposta. Um aperto maior, um olhar que se encontra, e se desvia. Ouvir o bater do coração alheio, aquele ritmo constante, apaziguador. Novo suspiro, e os ombros descaem. Liberta-se alguma da tensão. Os olhos fecham, inspira fundo, e aparece-lhe no rosto a sombra de um sorriso. Aperta-o novamente contra si, com toda a força.
Afasta a cara do seu peito, o suficiente para olhá-lo nos olhos. E os olhos, antes da boca, sussuram: "Obrigado"...

O mundo num momento...

O meu cabelo, ainda molhado
caiu em volta das nossas caras,
formou um cortinado
que nos isolou do mundo
e o deixou parado
em redor...
Só nós mexíamos,
só nós vivíamos,
tudo o resto estava desfocado
para lá daquele cortinado
Só tínhamos olhos para os olhos,
lábios para os lábios,
sem pensar em nada...
Perdidos naquele sentimento,
só o nosso mundo girava...

21 March 2006

Cinco manias

E pronto, ao fim de algum tempo, finalmente respondo ao desafio da Rain (em www.orange-clouds.blogspot.com), e partilho 5 manias minhas... Cá vai:


1. Se tiver letras, eu leio! Desde o jornal/revista de quem se senta à minha frente nos transportes até aos anúncios à beira da estrada, passando pelas legendas (mesmo sendo inglesa e falando ambas as línguas como línga-mãe)... o que é não importa. Basta que tenha letras que eu conheça, e pronto, quando dou por mim (ou mais propriamente, quando dão por mim), estou a ler... nem que seja a lista de ingredientes do sumo, em alemão (ou italiano, ou dinamarquês, ou...)! Às vezes, até descubro coisas engraçadas... por exemplo: sabiam que a maionese tem uma “linha azul” para onde os consumidores podem ligar em caso de dúvida?

2. Identifico aves em andamento. Tipo vou no carro/comboio/whatever, os restantes ocupantes do dito cujo vêem (quanto muito) uma mancha branca a passar pela janela, e eu digo “olha, uma gaivota de cabeça preta”, ou “garça-boieira”, ou seja lá o que for... Em minha defesa, só posso alegar que a culpa é do meu pai – foi ele que me ensinou a identificar pássaros...

3. Não gosto de viajar sozinha. Não sei bem porquê, mas desconfio q tenha a ver com o facto de ser “nervótica”... Só sei que quando viajo sozinha nunca aproveito as coisas como deve ser, nem me divirto tanto como quando tenho companhia.

4. Tenho problemas com cães. Não sei se é trauma de infância ou defeito de personalidade, mas é um facto. Há uns anos que ando a fazer um esforço, e já consigo fazer-lhes umas festas e tal – até tive um a acompanhar-me no trabalho de campo na Islândia, mas... é um esforço. Sei que isto não fica muito bem a uma bióloga, mas em compensação, lesmas, insectos, baratas, ratos, répteis e outros bichos com má fama não me fazem diferença nenhuma.

5. Diz quem me conhece que digo demasiadas vezes “obrigada” e “desculpa”. Pessoalmente, nunca fui dessa opinião, mas de qualquer forma... Obrigado por lerem isto, e as minhas desculpas aos amantes de cães! ;)

E pronto, não tendo as "ligações" (perigosas ou não) da minha cara Rain, limito-me a passar o desafio a duas pessoas que (muito) provavelmente não irão responder - os meus 2 companheiros de blog: Balmoth e ZackDeLaRocha.

7 March 2006

Vamos fugir para as Bahamas?

Acordaste cedo após uma noite mal-dormida, e tiveste um dia em que sempre que pensaste que o pior já tinha passado, acontecia algo para te levar a reconsiderar? Depois de horas de esperas inúteis e pouco produtivas, chegaste a casa contente por poder finalmente descansar, e descobriste uma pilha de recados que alguém achou que eras a pessoa indicada para fazer? Foste ver o mail na esperança de que alguma alma caridosa te fizesse rir, e em vez disso descobriste apenas mails de trabalho, ainda por cima a criticar/ pedir explicações/ fazer perguntas sobre coisas que sentes que já justificaste (no mínimo!) um milhão de vezes?

Se a descrição acima se assemelhar de alguma forma a algum aspecto do teu dia, este post é para ti: Vem comigo, vamos fugir para as Bahamas!

Porquê? Bem, porque foi o primeiro sítio exótico que me veio à mente, e o sol faz bem à saúde. Porque o nome Bahamas é engraçado, e proporciona horas de diversão a pensar em como se chamarão os seus habitantes - ...ok, ok, talvez não horas, mas ainda assim, pensem lá: Bahamenses? Bahameses? Bahamões?... – Porque... bem, porque sempre podemos depois dizer “Eu fui às Bahamas”, e alguém há-de ficar cheio de inveja. Ou então porque é um local tão bom como qualquer outro, e muito melhor do que aquele em que estamos em dias destes.

Por tudo isto... Quem vem comigo?